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Agronegócio

VCRA11, o fundo que aliou experiências de mercado e campo

Com pouco mais de seis meses de existência, o Fiagro Vectis Datagro Crédito Agronegócio, nascido da parceria entre a gestora Vectis e a consultoria Datagro, reúne R$ 228,5 milhões em ativos

Por Luciene Miranda
quinta-feira, 28 de julho de 2022 Atualizado 2 semanas atrás

Duas vezes ao mês, sempre às terças-feiras, o Clube FII News trará o perfil de um Fiagro, o chamado Fundo de Investimentos nas Cadeias Produtivas Agroindustriais.

 

Esta modalidade de investimento é bem recente, formalizada pelo órgão regulador do mercado financeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em julho de 2021.

 

VCRA11, o fundo que aliou experiências de mercado e campo
Plantação de café em Piumhi (MG) da Ruiz Coffees, com operação de CRA que recebeu o maior prazo entre os ativos do Fiagro VCRA11 (Foto: Divulgação - VCRA11)

 

Nesta estreia, vamos falar do Fiagro Vectis Datagro Crédito Agronegócio (VCRA11), lançado em dezembro de 2021 e que conta, atualmente, com 1.728 cotistas.

 

O fundo nasceu da parceria entre a gestora Vectis e a consultoria Datagro com o objetivo de juntar experiências. A primeira traz o histórico de know how no ramo imobiliário e no mercado financeiro. A segunda tem mais de 40 anos de lida com as informações do agronegócio brasileiro.

 

Mucio Mattos, sócio da Vectis, e Guilherme Nastari, sócio-diretor da Datagro, deram uma entrevista exclusiva ao Clube FII News.

 

LEIA TAMBÉM: FIAGRO VCRA11 CAPTA R$ 196,4 MILHÕES EM PRIMEIRA EMISSÃO

 

“A nossa preocupação sempre foi continuar sendo consultores, enquanto a Vectis faz a função de gestora. Isso dá muita segurança para a gente defender o interesse do investidor, trazendo operações independentes em que a gente realmente acredita que são mais bem classificadas e avaliadas em relação aos riscos”, afirma Nastari. 

 

O fundo concluiu a primeira emissão no final de junho deste ano, com a captação de R$ 196,4 milhões e cota valendo R$ 100,00. O objetivo inicial na oferta pública sob a instrução CVM 400 – aberta a qualquer investidor – era captar até R$ 500 milhões. O valor mínimo da operação era de R$ 100 milhões.

 

Os ativos da carteira do VCRA11 estão em diferentes segmentos do agronegócio, sempre em títulos de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) ou Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Desta forma, o fundo financia projetos ligados ao setor rural nos setores de açúcar e etanol, agropecuária, café, além de biocombustíveis e energia.

 

“Quando a gente faz uma discriminação do risco escolhendo diversas culturas, a gente mitiga várias coisas: risco climático, econômico, de mercado e também setorial quando uma commodity está num momento melhor que a outra”.

 

Outra estratégia na gestão do fundo é a diversificação entre regiões brasileiras. Os CRAs e CRIs em que o fundo investe financiam projetos em Roraima, Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais e São Paulo.

 

Usina termelétrica de São João da Baliza (RR) da BB Fuels financiada pelo VCRA11 com entorno de plantação de palma. (Foto: Divulgação - VCRA11)

 

“Você passa a ter um menor risco atrelado ao agronegócio. No Norte e Nordeste, por exemplo, o regime de chuvas é completamente diferente da região Centro-Sul. Quando há a diversificação de regiões, você mitiga riscos climáticos, de mercado ou de infraestrutura”.

 

Além da diversificação, o porte das empresas-alvo do investimento do VCRA11 também é levado em conta.

 

O sócio da Vectis acredita que empresas e produtores maiores passam mais de conforto na qualidade e análise do crédito.

 

“Isso implica que a gente tenha que fazer operações de volume um pouco mais relevante para ser relevante dentro do negócio, escolher as garantias e estruturar as operações”, afirma Mattos.

 

Com o rápido ganho de popularidade dos Fiagros no país, a gestão do VCRA11 quer fazer o patrimônio crescer.

 

“A gente ainda vai fazer uma outra operação mais ou menos na linha dos segmentos em que já está. Para o futuro, o nosso pipeline – plano de negócio – é para a originação de operações, seja por um crescimento do fundo ou diminuindo um pouco a exposição na carteira. Assim, temos um ganho de capital para trazer outras coisas de setores diferentes”.

 

Além do Fiagro fazer questão de expor ao mercado os cuidados nas operações de modo a mitigar riscos historicamente associados ao agronegócio, também se esforça implementar e incentivar em parceiros as práticas ESG - sigla em inglês para iniciativas de sustentabilidade em meio ambiente, sociais e de governança.

 

 Plantio de cana irrigada da Serpasa, empresa de produção de etanol na Bahia financiada pelo Fiagro VCRA11 (Foto: Divulgação - VCRA11)

 

Mattos explica que as posturas das empresas em relação ao tema são sempre levadas em consideração na fase de seleção dos ativos para investimento.

 

Para dar o exemplo, o próprio fundo zerou as emissões de carbono relacionadas à administração.  

 

“O investimento foi de toda a nossa pegada de carbono administrativa calculada em 2021”.

 

A preocupação está em linha com as exigências cada vez maiores de parceiros comerciais internacionais do agronegócio brasileiro, principalmente porque qualquer situação negativa relacionada ao ESG pode representar um grande risco à operação.

 

Aqui, riscos podem representar comprometimento de recebíveis, ou seja, do pagamento e remuneração pelos investimentos em CRI e CRA em projetos e dos quais depende o fluxo de caixa do fundo.

 

Segundo Nastari, riscos como este são avaliados na hora da escolha dos negócios para a carteira do fundo.

 

Planta da Serpasa que produz etanol na Bahia, estado que precisa importar o combustível de outras regiões. (Foto: Divulgação - VCRA11)

 

“O fundo está preocupado em originar produtos melhores, com menor risco, seguindo uma esteira de avaliação que começa na originação de players reconhecidos pela excelência operacional e por uma participação relevante setorial”.

 

Mattos complementa.

 

“A gente sempre acreditou que o agro não é feito na Faria Lima. Não sou eu aqui sentado na Faria Lima que vou ter a capacidade de auditar as informações que alguém me passa. Aqui, não tem ninguém com capacidade de auditar se a capacidade do cara é X ou Y. Mas esses caras da Datagro têm. Eles sabem se o produtor planta bem ou não. Por isso, a gente resolveu se juntar a eles para mitigar esse risco. Esses caras têm 160 pessoas que viajam mais de 6 mil quilômetros por mês colhendo dados primários do setor”.

 

 

Os ativos do VCRA11

 

A confiança nas operações levou o VCRA11 a aumentar a exposição do portfólio em CRIs e CRAs de 76% para 81%. Isso ocorreu após o Fiagro aumentar a posição na operação com a empresa de bioenergia Bevap em R$ 9,5 milhões no final de julho.

 

Atualmente, biocombustíveis detém 27,9% do portfólio do Fundo, seguido por café com 22,8%, agropecuária que corresponde a 15,2%, além de açúcar e etanol com participação de 14,9%. O caixa da empresa representa 19,3% dos ativos.

 

O CRA Bevap Bioenergia tem prazo de 5 anos e remuneração de CDI + 5,30% ao ano. Ele financia uma usina em Minas Gerais com moagem de cerca de 3 milhões de toneladas de cana por ano.

 

Nesta operação, as garantias incluem aval da holding da empresa, fundo de reserva de 10% do saldo da operação, cessão fiduciária de direitos creditórios e fundo de despesas.

 

“O BENRI [Biomass Energy Research Institute] que é uma empresa de rating operacional deu à operação a maior nota de classificação agrícola e mostra que a turma sabe plantar, colher e moer cana. Eles são conhecidos no setor e têm diferenciais como manejo irrigado e cana com rendimento acima do padrão”, afirma Nastari.

 

Plantio irrigado da Bevap Bioenergia, em Minas Gerais. O CRA tem prazo de 5 anos e remuneração de CDI + 5,30% ao ano para financiar a usina e a moagem de cana.  (Foto: Divulgação - VCRA11)

 

Já o CRA Ruiz Coffees é a operação de maior prazo junto ao VCRA11. Tem 10 anos e remuneração de CDI + 4,5% ao ano. O financiamento a um dos maiores produtores de café do país foi em dois desembolsos - primeira tranche de R$ 30 milhões e a seguinte de R$ 15 milhões - para um total de R$ 45 milhões, mas que chegará a R$ 60 milhões.

 

“A gente deu uma dívida para esse cara bem mais longa porque o café é mais perene, ao contrário da soja que você planta todo ano”, disse Mattos.

 

Além do café, o Ruiz Coffees produz também mogno e látex. A atuação da empresa é em Minas Gerais, São Paulo e Bahia.

 

As garantias dadas à operação de CRA são o aval dos sócios, alienação fiduciária de imóveis rurais - dos quais 125% em liquidação forçada. Há ainda a cessão fiduciária de recebíveis de negócios em café, fundo de reserva e fundo de despesas.

 

“A gente foi visitá-lo, por coincidência, logo após uma geada que dizimou vários produtores de café. Por um lado, foi muito bom porque os especialistas da Datagro puderam averiguar que as plantações dele foram pouco afetadas pela geada e a gente usou isso para escolher a dedo as fazendas que ia pegar. As escolhidas foram as de Piumhi (MG) que são superprodutivas e pouco afetadas pela geada”, conta Nastari.

 

O CRA Brasil Bio Fuels financia a finalização da construção da Usina Termelétrica UTE São João da Baliza, em Roraima. O prazo da operação é de 7 anos e a remuneração é de CDI + 8% ao ano. De acordo com o VCRA11, todo o biodiesel usado na geração de energia pela empresa vem da palma. A companhia ainda realiza iniciativas junto a comunidades indígenas, quilombolas e a agricultores familiares. 

 

“É uma empresa 100% ESG que está recuperando áreas degradadas no Norte do país e usa palma para, basicamente, duas coisas: a utilização como combustível nas usinas termelétricas para atender o sistema isolado de energia e também, em menor escala, para vender óleo de palma às indústrias de cosméticos e alimentícia”, afirma Mattos.

 

Ele ainda destaca que a Brasil Bio Fuels fechou recentemente uma parceria com a Vibra para a produção de combustível para aviação.

 

O CRI Serpasa financia o projeto de irrigação da empresa do setor de açúcar e etanol em R$ 10 milhões até o momento, de um total de R$ 40 milhões previstos na operação. O prazo é de 5 anos e a remuneração é de CDI + 6% ao ano. A atuação é na Bahia.

 

As garantias são aval, alienação fiduciária de imóveis rurais com LTV – long time value que é o valor de um cliente ao longo tempo para o negócio – de, pelo menos, 65% em valor de liquidação forçada, além de fundos de reserva e despesa. 

 

“A empresa está criando uma usina de etanol na Bahia que, atualmente, é um estado importador de etanol. Ela tem essa área irrigada e começou a moer. A gente mandou os técnicos da Datagro para ficar lá durante quatro dias fazendo auditoria no canavial. Eles viram, inclusive, se a qualidade do canavial era condizente com a que deveria ser plantada naquele clima e região. Eles viram também se a usina estava bem montada para mitigar todos os riscos próprios de uma startup”, informa Mattos.

 

Para esta operação, a gestão do VCRA11 colocou um covenant - compromisso do contrato de financiamento ou empréstimo que serve para proteger os interesses dos credores. A exigência é de que haja mudança da variedade de cana nas renovações da plantação.

 

“A gente identificou que, de fato, ele plantou a melhor variedade de cana possível para aquela região. Só que você ter 100% da variedade em todo o canavial pode se tornar um risco potencial se houver alguma praga”.

 

No setor de agropecuária, o CRA Grupo Raça Agro recebeu aporte de R$ 30 milhões do VCRA11. O prazo é de 4 anos e a remuneração é de CDI + 5,5% ao ano.

 

A empresa está nas regiões do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com atividades em agropecuária e as marcas AgroBoi, Zootec e Suprema para suplementos animais, ração, sementes, fertilizantes, herbicidas, vacinas e medicamentos veterinários.

 

As garantias da operação são aval, alienação fiduciária de quotas e cessão fiduciária de direitos creditórios.

 

“Este empreendedor tem crescido muito e a gente gosta bastante dele. Foi o primeiro empreendedor a ter feito um CRA de pecuária, mas que não foi conosco. Os CRAs são um mercado super distinto para revendedores agrícolas porque eles não têm um ciclo tão longo quanto o do agro. A gente acompanha tudo de perto. Ele traz serviços em tecnologia para os pecuaristas levando 10% da força de obra dele ao campo com técnicos e zootecnistas para diminuir pegada de carbono e aumentar a produtividade do pecuarista”, conclui Mattos.


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