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    Programa pioneiro de recompra em FIIs é encerrado

    Estratégia inédita no mercado de FIIs pode inspirar outros fundos com cotas descontadas

    Por ClubeFII
    sexta-feira, 3 de julho de 2026 Atualizado 6 horas atrás

    O primeiro programa de recompra de cotas no mercado de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) foi encerrado, após a meta ser alcançada antes do período previsto. O mecanismo que ocorre quando um fundo compra suas cotas com recursos em caixa, cancelando-as na sequência.

     

    No final de junho, o Hedge TOP FOFII 3 (HFOF11) finalizou seu programa de recompra de cotas pioneiro em FIIs. Até agosto do ano passado, quando foi feito o anúncio, o programa era inédito neste mercado, e foi utilizado como estratégia para buscar elevar o valor patrimonial por cota e fortalecer as reservas do fundo, segundo a própria gestora.

     

    Ainda que a prática seja comum entre companhias listadas na B3, em maio de 2025, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a permitir que os FIIs recomprassem suas próprias cotas negociadas na bolsa. “Foi o desfecho de um programa que começou como aposta pioneira, e serve hoje de modelo para outros fundos que enfrentam uma negociação descontada”, ressalta Lana Santos, analista do Clube FII.

     

    Programa pioneiro de recompra em FIIs é encerrado

     

    Programa de recompra de cotas do HFOF11

     

    O fundo anunciou o resultado do programa em 19 de junho, com aquisição de 11.523.000 cotas, que representam 5% das cotas do fundo na data de início do programa, reduzindo a posição total de 230.460.000 para 218.937.00. Santos aponta que o fundo atingiu exatamente a meta que havia traçado, após investir R$ 69,6 milhões para cancelar cotas que valiam R$ 83,6 milhões pelo patrimonial, um valor contábil 20,2% acima do gasto, a um desconto médio de 16,8%.

     

    Para a analista, o impacto de uma recompra é direto. “Em julho de 2025, quando o programa arrancou, a cota valia R$ 7,25 pelo patrimonial e negociava a R$ 5,95 na bolsa. Para recomprar uma cota, o fundo gastava R$ 5,95 do seu ativo e cancelava R$ 7,25 do seu passivo, ou seja: é comprar barato e cancelar pelo valor cheio, de modo que o desconto de quem está vendendo é transferido de graça para quem fica, virando ganho patrimonial. Num fundo de fundos o efeito é ainda maior, por causa do duplo desconto”, detalha.

     

    Ainda conforme a especialista, quando o programa teve início, o fundo negociava com 18,8% de desconto sobre o próprio patrimonial, e os fundos da carteira também estavam descontados, os de tijolo a 23,7% e os de papel a 8,2%. “Recomprar a própria cota nesse cenário era comprar uma cesta que já estava barata a um desconto em cima do desconto. Marcados pelo patrimonial, os ativos levariam a cota a R$ 9,10, contra os R$ 5,89 da bolsa, um potencial de 54,3% de valorização”, completa.

     

    Principais ganhos do programa

     

    Com a finalização do programa, a analista do Clube FII elenca os principais ganhos: “Eleva o valor patrimonial das cotas que permanecem; divide o resultado acumulado por menos cotas, de modo que uma recompra de 5% aumenta esse resultado por cota em torno de 5%; e reduz a taxa de gestão, já que o fundo encolhe”.

     

    No entanto, tendo em vista que os recursos utilizados vieram do caixa ou da venda de posições, o efeito líquido depende do yield do ativo desinvestido. “Se ele rendia pouco, a recompra melhora o resultado por cota; se rendia muito, pode reduzir na largada. Ainda assim, o aumento patrimonial tende a virar mais capacidade de gerar renda ao longo do tempo”, pondera.

     

    Na visão da analista, ao realizar uma comparação com outros mecanismos para devolver valor ao cotista, como a amortização, a recompra tem o benefício de gerar valor, ser mais simples e mais barata para quem investe. “A recompra pode ser feita todo dia, de forma contínua, e não mexe na vida tributária de ninguém. Já a amortização obriga o investidor a mandar seu custo médio para a apuração do imposto, e quem não manda acaba tributado pelo menor preço histórico do papel, chegando a pagar imposto a mais mesmo estando no prejuízo”, conclui.


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