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    FI-Infra BODI11 aposta em hedge e ativos exclusivos

    Fundo da Bocaina busca retorno atrelado ao CDI com carteira de debêntures de infraestrutura

    Por ClubeFII
    sexta-feira, 10 de julho de 2026 Atualizado 5 horas atrás

    O Bocaina Infra CDI (BODI11) foi lançado com uma estratégia voltada a investidores que buscam exposição ao mercado de infraestrutura, mas preferem um retorno atrelado ao CDI em vez da variação do IPCA. Para isso, o fundo utiliza operações de hedge que convertem o retorno das debêntures incentivadas em uma rentabilidade referenciada ao CDI, reduzindo parte da volatilidade normalmente observada nesse tipo de ativo, explicou Lana Santos, analista do Clube FII, em vídeo análise disponível no Youtube. Clique aqui e assista. Além da estratégia de hedge, entre os diferenciais do BODI11 estão a especialização da gestora em infraestrutura e o investimento em ativos exclusivos.

     

    Administrado pela Bocaina Capital, o FI-Infra investe majoritariamente em debêntures de infraestrutura, que tradicionalmente remuneram os investidores por meio de uma taxa prefixada acrescida da inflação. "E quem é a gestora aqui? É a Bocaina Capital, a mesma casa do BODB11. É uma gestora independente e especializada em infraestrutura e crédito estruturado, criada por gente que veio da área de infraestrutura de bancos grandes. Independente quer dizer que ela não faz parte de um banco, o que costuma dar mais liberdade pra escolher os ativos", ressaltou a analista.

     

    Com o uso de contratos futuros de cupom de IPCA (DAP), o fundo procura neutralizar a exposição às oscilações dos juros reais, mantendo o prêmio de crédito das operações. "Funciona mais ou menos assim: uma debênture paga IPCA mais 8,50%. A NTN-B de referência, que é o título público de vencimento equivalente, paga IPCA mais 7,50%. A diferença entre os dois, cerca de 1,00%, é o spread de crédito, o prêmio por emprestar pra uma empresa em vez de pro governo. Depois do hedge via DAP, aquele contrato futuro, esse retorno se transforma em algo perto de CDI mais 1,00% ao ano. O hedge troca a "régua" IPCA pela "régua" CDI e neutraliza boa parte da oscilação dos juros reais", explica Santos. Segundo o relatório gerencial de maio de 2026, o objetivo do BODI11 é entregar retorno entre CDI +1% e CDI +2% ao ano no longo prazo.

     

    FI-Infra BODI11 aposta em hedge e ativos exclusivos
    Lana Santos, analista do Clube FII

     

    Carteira reúne 26 ativos em nove setores

     

    No encerramento de maio, o fundo possuía cerca de 94% do patrimônio investido em crédito privado, distribuído entre 26 ativos de nove segmentos da infraestrutura. O setor de saneamento representava a maior participação da carteira, seguido por distribuição e geração de energia, fibra óptica, transmissão, rodovias e telecomunicações. " Essa diversificação por setor é um pilar declarado da gestão, e o raciocínio é simples: uma concessão de saneamento no Sul do país e uma rodovia no Mato Grosso respondem a variáveis completamente diferentes. Se um setor sofre, é pouco provável que arraste os outros junto", aponta analista.

     

    Entre as maiores posições estavam debêntures da Hidroforte, CESP, Alares, Sabesp, Iguá, BRK Ambiental e Equatorial. A analista também destaca a presença de ativos estruturados diretamente no mercado primário, que não costumam ser negociados com frequência no mercado secundário e fazem parte da estratégia de buscar prêmios de crédito superiores aos de emissões semelhantes. "Mas aqui entra um diferencial importante de destacar: os ativos exclusivos. São emissões que a Bocaina estrutura ou ancora diretamente com a empresa, e que não ficam circulando no mercado pra qualquer um comprar", completa Santos.

     

    Fundo estreou com recompra de cotas e formador de mercado

     

    Outro diferencial do BODI11 é a adoção, desde o lançamento, de um programa de recompra de cotas quando os papéis são negociados abaixo do valor patrimonial, além da contratação de um formador de mercado para ampliar a liquidez das negociações na bolsa. Esses seriam dois mecanismos de proteção de preço, no entendimento da analista.

     

    A oferta inicial do BODI11 captou aproximadamente R$ 278 milhões e reuniu mais de 3,3 mil investidores. "A oferta teve o Itaú BBA como coordenador líder, com Santander e UBS-BB como coordenadores, e ainda contou com Bradesco, BTG e XP, entre outros. Essa foi a primeira vez que todos esses canais de distribuição participaram conjuntamente de uma oferta de FI-Infra, respaldando a qualidade do trabalho da Bocaina no setor".

     

    Hedge reduz parte da volatilidade, mas não elimina riscos

     

    Apesar da estratégia de proteção, o fundo segue exposto às variações dos spreads de crédito, fator que influenciou o desempenho do mercado de crédito privado em maio de 2026. Segundo a gestora, a abertura dos spreads afeta a marcação a mercado das debêntures, mesmo em carteiras protegidas contra as oscilações dos juros reais. O efeito, no entanto, altera o preço das cotas, mas não modifica o fluxo de pagamento dos títulos mantidos na carteira. De acordo com a analista, a diversificação entre emissores, a concentração em setores de infraestrutura e a presença de ativos exclusivos fazem parte da estratégia para mitigar os impactos desses movimentos ao longo do tempo.

     

    AVISO: Este conteúdo, assim como o vídeo disponível no Youtube, possui caráter 100% educativo e informativo. NÃO é uma recomendação de compra ou venda. Faça sua própria análise antes de investir.


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