Locação de escritórios premium em SP atinge pico pós-pandemia
Consolidação do presencial impulsiona aumento de áreas; neuroarquitetura relaciona eficiência operacional a dinamismo dos espaços
Não é de hoje que o mercado paulistano de escritórios está de cara nova. Tendencias de tamanho e composição de espaços estão ditando as regras de inovação que passam por tecnologia, conforto e sustentabilidade, mas os dados do Marketing Analitics da SiiLA apontam que, o que antes era uma simples inclinação, já está se consolidando e ditando as regras do setor.
A análise histórica de ocupação por locatários na capital, mostra que os ativos A e A+ estão voltando a atingir uma área de locação próxima a patamares pré-pandêmicos. O ano de 2018 tem a maior média histórica de área locada por empresa, na última década, apresentando uma metragem apenas 11,49% maior que a registrada no primeiro trimestre desse ano, de 1.540 m2. A recuperação passa por um cenário pandêmico com queda na ocupação de até 34,04% antes do início da retomada.
Os saltos de 2024 para 2025 mostram um cenário aquecido e com crescimento elevado, retomada de locações maiores e um prognóstico positivo para novas ocupações mais amplas e eficientes para o que demanda os atuais modelos de trabalho.

Gráfico ilustra área média locada por empresas A e A+ de 2016 a 2026
Fatores como a migração do home office para o híbrido e agora a volta efetiva do presencial impulsionam o aumento. A mudança brusca não é vista como uma retomada do modelo anterior a pandemia, uma vez que o trabalhador agora vê no escritório mais do que um simples espaço: é preciso aumentar o contato e a experiência para se alcançar a eficiência no dia a dia.
Para a sócia e diretora corporativa da T2 Arquitetura, Tanali Vargas, o espaço ocupado pelo funcionário é um fator primordial do impacto à sua produtividade e entrega, ponto que as empresas estão cada vez mais atentas.
"Quando a pessoa vai ao escritório hoje, ela quer bem-estar. E a empresa quer eficiência operacional, mas também quer que as pessoas convivam e se conectem. O escritório deixou de ser apenas um lugar de trabalho. Hoje ele é posicionamento, estratégia e ferramenta de cultura", destacou.
Nesse contexto, a neuroarquitetura é um conceito amplamente aplicado nos projetos de design de espaços corporativos, onde é feito um estudo imersivo para entendimento da cultura e necessidades do cliente, muitas vezes não comunicada e não percebida até a hora de fechar a estrutura, mas que faz toda a diferença no dia a dia dos funcionários.
A exigência põe foco em edifícios que proporcionam infraestrutura dentro e fora do prédio. Tudo conta nesse cenário, serviços ao redor do ativo, facilidade de acesso e remodelagem de espaço. "Depois da pandemia, o time virou um ativo ainda mais importante", conta Tanali "As empresas querem locais acessíveis, perto de metrô, com mobilidade e qualidade de vida. Hoje as empresas estão mais preocupadas com governança, meio ambiente e responsabilidade social. O ambiente corporativo comunica a imagem da empresa".
Vacância e ativos premium
A vacância em São Paulo demorou para sair da casa dos 20%. O cenário que tendia a diminuir foi altamente impactado pela pandemia e hoje chegou ao menor valor da década, com 15,07%. A queda de dez pontos percentuais em comparação a 2016 movimentou neste ano apenas os ativos que já estão no mercado, uma vez que o novo estoque do trimestre foi zerado.

Gráfico com os valores médios de mercado e vacância de ativos A e A+ de 2016 a 2026 em São Paulo
O valor médio de mercado que já vinha em uma crescente, teve um aumento pouco maior de R$ 2/m² em comparação ao último trimestre de 2025, indicando estabilidade nos valores e ao mesmo tempo aquecimento na procura, com o maior valor nos últimos dez anos.
Com perspectivas positivas, a movimentação focou os ativos com maior qualidade, que seguem disputados por grandes empresas. Um exemplo já do segundo trimestre de 2026 é a locação do 11o andar do JK Financial Center antes mesmo da saída do inquilino anterior, que teve ainda o aumento no aluguel em 26%. A equipe de análise de mercado da SiiLA revelou o novo valor com exclusividade.
Tanali ressalta que a mudança de sedes é atualmente o movimento mais eficiente para o mundo corporativo. No lugar de um retrofit, por exemplo, que demandaria tempo, alterações estruturais nos prédios e muitas vezes uma parada total na operação, a migração consegue, na maioria dos casos, executar obras de adequação de espaço em períodos menores e com uma logística menos complexa. Para ativos premium, muitas vezes a reestruturação é mínima ou inexistente para abrigar novos inquilinos.
"Todos os nossos clientes dizem que a qualidade da entrega melhora depois da mudança para um escritório melhor. Muitos falam que deveriam ter feito isso antes. Isso está totalmente ligado à priorização de qualidade, eficiência e segurança. Esses prédios entregam tecnologia, localização, infraestrutura e posicionamento de marca."
Conteúdo originalmente produzido em SiiLA, parceiro do Clube FII.