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    Copom mantém Selic, mas sinaliza corte na próxima reunião

    Taxa de juros Selic definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central segue em 15% ao ano

    Por ClubeFII
    quarta-feira, 28 de janeiro de 2026 Atualizado

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro decidiu, conforme esperado pelo consenso de mercado, manter a taxa de juros básica da economia brasileira (Selic) em 15% ao ano ao final da primeira reunião de 2026. O anúncio, feito nesta quarta-feira (28), trouxe também uma perspectiva de início da trajetória de cortes no próximo encontro, que ocorre nos dias 17 e 18 de março.

     

    Copom mantém Selic, mas sinaliza corte na próxima reunião

     

    “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, ressaltou o comunicado apresentado pelo BCB.

     

    A meta de inflação a ser buscada pelo Banco Central definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% ao ano, com 1,5 ponto percentual de tolerância. Em 2025, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou alta de 4,26%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a menor taxa dos últimos 7 anos (menor desde 2018). Com a desaceleração nos preços de alimentos em destaque, o índice ficou acima do centro da meta, mas abaixo do teto da meta de 4,5%, considerando a banda superior.

     

    No entanto, o Banco Central define sua política baseada nas perspectivas inflacionárias, que ainda são superiores à meta, ainda que em trajetória de melhoria nos últimos meses. Nesta semana, Boletim Focus do Banco Central indicou uma diminuição nas projeções de inflação para 2026, saindo de 4,02% para 4% ao final do ano. As estimativas para 2027 e 2028 foram mantidas em 3,8% e 3,5%, respectivamente.

     

    “A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência”, segundo o comunicado da decisão, que foi unânime.

     

    Riscos geopolíticos e situação fiscal monitoradas

     

    O cenário marcado por incertezas levou o Comitê a manter a taxa de juros no patamar atual. As expectativas de inflação seguem desancoradas, com projeções de inflação elevadas, de acordo com o comunicado, enquanto a atividade econômica continua resiliente, diante de pressões no mercado de trabalho.

     

    “O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”.

     

    Apesar do indicativo de possível ajuste na próxima reunião, o colegiado ressaltou a importância da serenidade em relação ao ritmo e à magnitude do ciclo, que vão depender da “evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.

     

    Economistas avaliam guidance de possível corte para março

     

    Na opinião de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa, o corte foi tratado com muita cautela, ao incluir termos como calibragem e serenidade. Isso, segundo o especialista, indica que o primeiro ajuste deve ser de 0,25 ponto percentual.  “Vale ressaltar que a mediana do mercado no Boletim Focus aponta para o afrouxamento de 50bps na próxima reunião”, destaca.

     

    Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, discorda, prevendo um corte de 0,5 ponto percentual em março. “O comunicado combina tom dovish condicional, ao indicar início de cortes já na próxima reunião, com uma âncora de prudência, ao reiterar que o ciclo será calibrado e orientado pela convergência das expectativas e pela dinâmica da inflação, em especial de serviços, além do comportamento do câmbio e do ambiente fiscal”.

     

    A mensagem do Copom, segundo Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, é de que “o ciclo a ser iniciado em março deve começar de maneira gradual e o tamanho da restrição está fortemente dependente da evolução de dados”. 

     

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