Spreads elevados indicam oportunidade em CRAs vs debêntures
Prêmio atual e isenção tributária são mais favoráveis para ativos do agro, segundo gestora Sparta
Conteúdo oferecido por Sparta
Após dois anos desafiadores, investidores voltam os olhares a títulos e fundos relacionados ao agronegócio — e podem encontrar oportunidades que são resultado da aversão do período anterior. Neste início do ano, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) estariam com spreads mais elevados em comparação com debêntures incentivadas de risco semelhante, conforme estudo da gestora Sparta.
Tanto os CRAs quanto as debêntures são ativos isentos de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas, mas o cenário atual revela uma assimetria, de acordo com a gestora, que tratou do assunto na seção “Análise de Risco de Crédito” de sua Carta Mensal de Janeiro de 2026.
Eventos negativos contaminaram percepção do investidor
Notícias sobre aumento da inadimplência e do número de pedidos de recuperações judiciais afastaram investidores de ativos relacionados ao agronegócio nos últimos anos. Mesmo assim, o ano de 2025 foi de superação para os Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), que registraram uma valorização média de cerca de 34%, superando a maior parte de outras classes de fundos listados, conforme destacado em análise do Clube FII disponível no Youtube.
Esses veículos de investimento investem em ativos do agronegócio, como imóveis rurais, cadeias produtivas, além dos CRAs (títulos de renda fixa privados lastreados em recebíveis que financiam produtores e agroindústrias).
A sequência de eventos negativos contaminou a percepção do investidor, mesmo considerando heterogeneidade desse setor, que corresponde a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Apesar da alta nas recuperações judiciais no agregado, grandes empresas seguiram resilientes, com operações sólidas e sem eventos de crédito. Ainda assim, o resultado é um prêmio adicional a títulos ligados ao agro.
No final do ano passado, a situação apresentou melhora, na visão de Márcio Takaya, sócio e gestor de agronegócio da Sparta. “À medida que os Fiagros construíram um histórico mais longo, um track record mais longo, o investidor também foi capaz de distinguir o joio do trigo”, pondera.
Hoje, as cotas estão em patamares mais saudáveis, com o mercado monitorando a possibilidade de novas ofertas, o que é considerado um ponto positivo para a classe de ativos. Além disso, outro ponto a favor de ativos como Fiagros é a descorrelação frente à maior parte dos ativos das carteiras dos investidores.
Momento favorece CRAs com prêmio elevado
Como resultado da aversão do passado, o momento é dos ativos agro. Ou seja: a relação risco retorno é melhor para os CRAs frente às debêntures incentivadas, considerando prazos e termos comparáveis. O estudo da gestora comparou emissores com presença simultânea tanto em CRAs quanto em debêntures incentivadas, identificando um diferencial de remuneração que pode superar 80 bps ao ano — 100 bps em alguns casos. Entre as empresas analisadas, estão companhias como Klabin, Jalles Machado, Cerradinho, Zilor, Usina Santa Fé e Eldorado.
“Parte disso ocorre porque os fundos de debêntures incentivadas captaram muito, eles têm uma obrigação legal em alocar um percentual do patrimônio nesse tipo de ativo, então isso pressionou os spreads. Os CRAs não têm essa dinâmica, essa obrigação de alocar, então os CRAs negociam com remunerações mais altas, o que é uma oportunidade para o investidor que está buscando um investimento isento, e negociando num nível de preço mais racional, mais fundamentalista, onde o fundamento de fato faz sentido”, explica o gestor.
Parte desse prêmio se explica pela necessidade de enquadramento, mas o gestor completa que os CRAs sofrem certa aversão por estarem vinculados ao agronegócio, mesmo com boa qualidade de crédito. Ou seja, haveria um prêmio de liquidez associado ao instrumento, não nomes específicos, sem indicativo de deterioração do risco de crédito.
“Muitos nomes no agronegócio, uma grande parte dos nomes, não tiveram nenhum tipo de problema de crédito, são empresas super saudáveis, super robustas, e têm uma oportunidade de compra nesses ativos”, ressalta Takaya.
Retorno adicional sem aumento de risco
O cenário mais atrativo para CRAs traz oportunidades, mas requer atenção quanto à qualidade de crédito do emissor. Em sua estratégia de gestão ativa, a Sparta foca em ativos high grade e segue cautelosa com títulos high yield, que oferecem spreads acima de 300 bps.
“Estamos sempre oxigenando a carteira, sempre trocando ativos e se beneficiando de fechamentos de spread de crédito, justamente a valorização dos ativos. Isso não acontece se a gente operasse ativos high yield, com pouca liquidez, eles não teriam essa valorização expressiva como a gente tem”, compara o gestor, ao ressaltar que a oportunidade mencionada está concentrada no segmento high grade.
A ideia é capturar o prêmio nos CRAs high grade por meio de uma carteira resiliente e defensiva, que proporcione ao investidor relação retorno/risco mais atrativa frente a alternativas pós-fixadas no mercado de infraestrutura. O gestor cita como exemplo o Sparta Fiagro (CRAA11), com carteira diversificada em mais de 100 ativos e foco no perfil de crédito high grade, em devedores de grandes empresas, como JBS, Klabin e Minerva, o que possibilita maior fôlego financeiro contra a volatilidade das commodities. O fundo apresentou um dividend yield de 15,4% em 12 meses finalizados em fevereiro, conforme último relatório gerencial, referente ao período.
“A gente não teve nenhum problema de crédito, nenhum problema de default na carteira, nenhuma renegociação, repactuação forçada, nada do tipo. A gente fala internamente que no crédito o importante é não errar. Mais do que acertar, o importante é não errar”, afirma Takaya.
Perspectivas e segmentos de destaque
Olhando para o futuro, a percepção é de que o agronegócio não está em crise, somente as empresas alavancadas. O momento é de seletividade, de escolha de empresas perenes, robustas e com alavancagem controlada.
Empresas verticalizadas tendem a ser mais resilientes e com menos volatilidade nos resultados, abrangendo segmentos como biodiesel, farelo de soja, entre outros, de acordo com o especialista. “Quando o preço da soja está ruim, é muito ruim para o produtor, para as vendas de insumos. Mas é bom, por exemplo, para uma empresa que tem a soja como um custo, que compra a soja, beneficia e transforma no produto final, que é o biodiesel, que é o farelo de soja”, exemplifica.
Na opinião do gestor, as agroindústrias tendem a apresentar resultados mais estáveis, melhor governança e boa remuneração frente ao risco. Além disso, cooperativas verticalizadas podem apresentar margens mais estáveis, enquanto proteína animal é outro segmento com resultados positivos no momento, diante de preços mais atrativos para grãos.
“Mesmo dentro desses segmentos que vivem momentos mais delicados, a gente consegue separar bons nomes, empresas robustas, com uma boa capacidade, com bom crédito”, conclui o gestor, ao mencionar como exemplo os CRAs da SLC Agrícola.
Em um momento de retomada dos Fiagros e oportunidades em CRAs, a seleção de ativos com qualidade de crédito é essencial. Para conhecer um Fiagro com foco em CRAs high grade, saiba mais sobre o CRAA11